sexta-feira, 13 de setembro de 2019
FLUÊNCIA
Quando os sábios do Oriente insistem que é preciso calar o desejo, referem-se ao desejo do ego; do cogito que se imagina puramente racional, mas é desejo tanto quanto razão. Há que se distinguir desejo, vontade e fluência. O desejo é egoico; a vontade é aquela que tanto Schopenhauer, quanto Nietzsche e o primeiro Cioran enxergaram. A vontade é menos individualizada que o desejo. O problema é que enxerga a natureza apenas como luta. A fluência é próxima do ela vit...al, de Bergson. É a naturalidade criativa com que o rio flui para o mar, sem desejo. Quando o sábio cala o desejo, é para seguir a fluência, não é para morrer em vida. É por isso que Deleuze, Guattari, Foucault, _____________ não convencem em sua desconstrução do sujeito. Permanecem presos ao desejo, às máquinas desejantes que se apropriam do eu. Heidegger afirmava que, antes de Dizer, precisamos ouvir o Ser (Eu Sou). Quando calamos o desejo, ouvimos a fluência, a voz do Ser. Estamos de acordo com o destino do mundo. E, se pensamos, é o pensar do Ser: o modo como o Ser se manifesta unicamente no ente humano; pensar poético que supera o Humanismo e dá ao homem a possibilidade de pensar com humildade, em consonância com a Terra.
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