Já o que dói em mim não é a dor que a vida impõe. Julgo-me musculoso suporte para qualquer chaga. O que hoje me fere é a dor que espalho ao passar: o inseto esmagado pelos meus pés cegos, a vida ceifada - mesmo vegetal - que alimenta minha rotina, a mulher cujo anseio não posso atender. Ando tão difuso que já não sei se o que dói em mim é meu rim ou o rim do mundo. Não há delicadeza que nos impeça de ferir. E quando cravo a enxada no chão, ainda que seja para plantar amor e ternura, ouço os gritos sagrados da Terra. Como?
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
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