terça-feira, 2 de abril de 2019

FILOSOFICES E CRIAÇÃO DE CONCEITOS

Observando a mim mesmo e àqueles que me cercam, percebo ao menos dois tipos distintos de inteligência. Vou chamá-las de inteligência instrumental e ontointeligência. A inteligência instrumental é técnica, usada no dia-a-dia, quando calculamos o preço do pão. É a inteligência da serpente, dos engenheiros, dos programadores de computador, dos advogados, dos vestibulandos e concurseiros. É prática e produtiva, ela, a inteligência instrumental. Já a ontointeligência é a inteligência dos pássaros, debruça-se sobre as questões do ser, questiona o paradigma estabelecido, pensa a experiência da vida humana e seu mistério. É um meditar improdutivo e nobre. Inteligência do espanto; a qual lança, a cada geração, o mesmo questionamento sem nunca repetir a fórmula ao indagar. Os dois conceitos não existem isolados, em estado de pureza. Tudo o que é humano é lambuzado. Assim, o grande artista é aquele no qual prevalece a ontointeligência, mas que também tem certo domínio da inteligência instrumental, uma vez que se comunica por meio de uma linguagem pré-estabelecida, na maioria das vezes, virando-a ao avesso. Por outro lado, o grande eletricista, no qual prevalece a inteligência instrumental, tem vislumbres de ontointeligência, quando, por exemplo, encontra uma solução criativa para os problemas que surgem durante a instalação elétrica de um prédio. As duas formas de inteligência não se opõem. Antes convivem em harmonia e se complementam. A humanidade precisa tanto de poetas quanto de pedreiros. E Jesus de Nazaré foi tanto Deus quanto carpinteiro.

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