Quando a manhã transborda
Acordo com uma vontade doida de cuidar e fazer o bem
E é tão bom encontrar uma velhinha precisando de ajuda com as compras
Uma planta barata precisando de água e esterco
Um cachorro velho pedindo salsicha
Quando transborda o amor
Não há sujeito ou objeto
Ama-se a vida sem querer nada em troca
(Como um Deus amou ao mundo)
No fundo, já fomos recompensados
Isso de estar vivo é tão imenso...
E eu sou do tamanho do Universo
Não é que tudo seja meu
Tudo sou eu:
a velhinha, a planta, o cão; o jardim no qual trabalho
Meu coração pulsa na última estrela cintilante
E então, já não sou um homem,
(Invólucro pequeno de carne e sangue)
mas um Deus:
O coração não tem bordas.
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