Não gosto de ficar falando de política nas redes
sociais porque acho que não resolve coisa alguma. As discussões não buscam a
criação da verdade, visam apenas a ânsia de ter razão. Além disso, cada um vive
aqui numa bolha na qual a maioria das ideias dos amigos é semelhante. Isto
posto, queria dizer que Bolsonaro era o pior que podíamos eleger! Primeiro
porque não é honesto porra nenhuma. Segundo porque é um intelecto nulo. Uma
besta sem figura geométrica que sirva de adjetivo. Em Davos, não funciona ficar
fazendo símbolo de arma, ou gritando preconceitos, ou falando bobagens, como
combater o comunismo, por exemplo. De comunista, os governos anteriores não
tinham coisa alguma. Terceiro, não bastasse o intelecto nulo, é um coração
vazio, sem empatia, sem poesia, sem verdade. Um papagaio decoraria frases
feitas muito melhor. Quarto, como sempre acontece aos que gritam sua macheza,
não passa de um tremendo covarde. Basta observar o olhar intimidado na Suíça.
Este é o tipo escroto que, no trabalho, grita com a faxineira, mas baba o ovo
do patrão. É fácil falar alto com a Venezuela em pedaços, quero ver é dizer
algo sensato, levantar a cabeça e olhar de igual para igual com um Donald Trump.
Para quem tinha Ciro Gomes, Haddad, Marina; ou, se você é mais conservador, o Meirelles,
o Amôendoim, qualquer um, porra! Eticamente, provamos ser um bando de filhos da
puta – pelo menos a maioria. Esteticamente, mostramos que somos um povo cafona,
grosseiro, um mau gosto verde e amarelo. Humanamente, provamos nossa
desumanidade. Como é que pode um povo que inventou o samba, a bossa nova, o
baião, ser, paradoxalmente, tão cruel? Como é que um povo que pariu um Milton,
um Drummond, um Rosa ser tão destrutivo? Mais uma vez me vem à mente a imagem
do IT, do Stephen King: se por um lado somos alegres, palhaços, quase cordiais;
por outro somos assassinos; e a balança está pendendo para o lado das sombras.
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