sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O PIOR LADO DE NOSSA ALMA


Não gosto de ficar falando de política nas redes sociais porque acho que não resolve coisa alguma. As discussões não buscam a criação da verdade, visam apenas a ânsia de ter razão. Além disso, cada um vive aqui numa bolha na qual a maioria das ideias dos amigos é semelhante. Isto posto, queria dizer que Bolsonaro era o pior que podíamos eleger! Primeiro porque não é honesto porra nenhuma. Segundo porque é um intelecto nulo. Uma besta sem figura geométrica que sirva de adjetivo. Em Davos, não funciona ficar fazendo símbolo de arma, ou gritando preconceitos, ou falando bobagens, como combater o comunismo, por exemplo. De comunista, os governos anteriores não tinham coisa alguma. Terceiro, não bastasse o intelecto nulo, é um coração vazio, sem empatia, sem poesia, sem verdade. Um papagaio decoraria frases feitas muito melhor. Quarto, como sempre acontece aos que gritam sua macheza, não passa de um tremendo covarde. Basta observar o olhar intimidado na Suíça. Este é o tipo escroto que, no trabalho, grita com a faxineira, mas baba o ovo do patrão. É fácil falar alto com a Venezuela em pedaços, quero ver é dizer algo sensato, levantar a cabeça e olhar de igual para igual com um Donald Trump. Para quem tinha Ciro Gomes, Haddad, Marina; ou, se você é mais conservador, o Meirelles, o Amôendoim, qualquer um, porra! Eticamente, provamos ser um bando de filhos da puta – pelo menos a maioria. Esteticamente, mostramos que somos um povo cafona, grosseiro, um mau gosto verde e amarelo. Humanamente, provamos nossa desumanidade. Como é que pode um povo que inventou o samba, a bossa nova, o baião, ser, paradoxalmente, tão cruel? Como é que um povo que pariu um Milton, um Drummond, um Rosa ser tão destrutivo? Mais uma vez me vem à mente a imagem do IT, do Stephen King: se por um lado somos alegres, palhaços, quase cordiais; por outro somos assassinos; e a balança está pendendo para o lado das sombras.

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