segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O GIGOLÔ DO CARMA

Há no homem parado, alguma coisa quebrada:
Osso, casa, coração, vidraça.
Há no homem, uma coisa pelo meio,
Situada entre o menino e a asa.
O coração deste homem é borboleta em estado de crisálida;
Magnólia manchada de medo;
Anjo com pata machucada.
Cabe no meio do mundo pós-moderno um homem assim tão manco?
Como posso ser real? – ele se pergunta. – Se me sinto como um enigma que ninguém sequer se deu ao trabalho de tentar desvendar?
Aos poucos desaparece de vez.
E o cão jogado na calçada
Lambe a ferrugem
Fitando o futuro.

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