domingo, 13 de janeiro de 2019
AINDA EXISTEM REVISTAS PORNOGRÁFICAS?
Como todo pioneiro, Freud cometeu muitos erros (o conceito de inveja do pênis nas meninas, por exemplo), mas também acertou bastante e, algumas de suas ideias, experimentei no meu próprio corpo; dentre elas, talvez a mais marcante seja o complexo de castração. Agora que descobri, por meio da meditação xin zhai fa, parece tão óbvio! Durante mais de 20 anos, no entanto, esteve lá e eu não via. No início da minha vida sexual, dos 15 aos 22 anos, tive problema de impotência. Quer dizer, em termos, eu tinha ereção o tempo inteiro; mas, no momento exato da penetração, naqueles poucos segundos, de cara pro gol, o pênis cedia. Minha primeira namorada, meu primeiro amor-imenso, começou a namorar comigo virgem e virgem terminamos. Ambos gozamos muitas vezes, é claro, porque o corpo tem muitos caminhos, mas nunca pude penetrá-la – enquanto isso, bebia. E, pra dizer a verdade, vinte e tantos anos depois, isso ainda dói, mas do que é que eu estava falando mesmo? Sim, Freud e a castração. No meu caso, aconteceu assim: eu tinha cinco anos e meu irmão e um primo mais velhos me mostraram umas revistas pornográficas. Fiquei tarado. Na escolinha, no pré-pré-segundo-estágio, tirava o pintinho pra fora o tempo todo. Um dia, a professora viu. Nunca vou esquecer o modo como me fulminou com os olhos. A mãe foi chamada. Disse que nunca passara vergonha tão grande e que, no fim de semana, contaria ao meu pai. Passei a semana inteira tentando suborná-la com desenhos, num processo de medo e angústia extremos: de nada adiantou. No sábado, mãe e pai, em sessão solene, chamaram-me pra conversar e eu entreguei todo mundo. Depois disso, quando chegava perto dos outros meninos e eles estavam conversando, imediatamente o papo parava, porque o alcaguete tinha chegado. Esse meu primo mais velho, que era órfão, foi inclusive mandado para a casa das irmãs no Paraná. Pior que dedo-duro, nem talarico. Pra resumir, no fim das contas, acho que associei sexo e culpa. Só quando encontrei uma mulher mais velha, a mãe da minha filha, foi que resolvi o problema. Como era muito sexual e mais experiente, ela me conduzia por seus buracos sem deixar que eu abrisse os olhos. Menino em loja de doces, aí eram plantões de trinta e seis horas seguidas. Essa mulher – meio maluca – tirou-me muita coisa, quase a vida inclusive, mas me deu muito também, coisas importantes; entre elas uma filha linda e uma vida sexual. É sempre assim na vida: a gente perde umas coisas, mas ganha outras. É chato para um homem adulto falar de seus fracassos, mas são nossos fracassos e não nossas conquistas que nos tornam humanos. No cristianismo oriental, é dito que Deus criou o mundo e ama os homens pela sua fraqueza e não por sua onipotência. Potência.
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