A LEITURA É INÚTIL,
mas isso não é ruim. Qual é a utilidade de um beijo? De um sussurro? De segurar um filho nos braços? Qual é a utilidade de por os pés no mar? De ouvir uma canção? Não podemos transformar o ato de ler em um meio. A leitura é um fim em si mesmo. Não lemos, ou não deveríamos ler, para ter assunto, argumentos, para escrever curriculum vitae, ou vencer debates... Tudo isso pode vir com a leitura; mas a leitura é do âmbito do ser e tanto pode envolver o fracasso quanto a glória.
Filosofia é o nome de uma coruja velha, desdentada.
Trituramos a infância preparando as crianças para a batalha da vida.
Não podemos confundir um homem com uma chave de fenda... Uma mulher com um alicate. O ser humano não é uma ferramenta, um recurso. Claro, todos temos papéis sociais: “você acredita que é um doutor, padre ou policial e que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social”; entretanto, a máscara não é o rosto, o papel não é o ator, o falso self não pode usurpar o lugar do self verdadeiro. O gerente não é o dono do corpo, o corpo é.
No meu trabalho, tem um quadro com os benefícios da leitura. Eu olho, eu sorrio. A leitura é aventura e não há aventura maior que respirar. O útil constrói, mas é o inútil que dá sentido. Utilizamos apenas a exata extensão do solo que está sob nosso pés; mas já imaginaram o que aconteceria se todo o resto da terra, por ser inútil neste instante, desaparecesse?
Fado, sina, lei, tesouro.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário