terça-feira, 16 de outubro de 2018

Aquilo que Pelé disse


Há no Amor uma espistemologia, a mais poderosa de todas, aquela que destrói os limites entre sujeito e objeto. É no amor e não no intelecto que entendemos as coisas, porque o Amor mais une que separa e, unido ao outro; percebendo que, por mais diversos que sejamos, a luz que ilumina nossos olhos vem da mesma fogueira, como poderemos ser ainda egoístas, como poderemos ainda esfaquear a mulher? Atirar no vizinho? Maldade é ignorância, amar e mudar as coisas me interessa mais. Onde penetra a luz do sol, as trevas fogem. Onde chega o conhecimento, afugentam-se os sentimentos sombrios: a inveja, o medo, o ciúme, a depressão; mas o conhecimento nunca é o conhecimento do intelecto, e sim o do coração. Disse a raposa ao principezinho: “A gente só conhece bem as coisas que cativou”. Amar um cão, um gato, uma rosa, uma árvore. Amar a vida e o mundo como Deus amou, dando seu filho unigênito. Não importa se a gente crê ou não nessa história. Também se aprende muito com a ficção. São Paulo de novo:
“O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”.
Somos ainda como meninos, com nosso amor deficiente, ainda meio apegado, vendo a imagem invertida da verdade, imaginando-nos separados. Mas haverá o tempo, que chega talvez com a morte sábia, em que compreenderemos tudo com o Amor transbordante de cuidado, com o Amor que é Deus. E assim como esse Amor nos conhece no mais profundo do nosso ser, nós o conheceremos. Os puros de coração verão a Deus, face a face.  Nossa alma será uma com Deus, mas sem deixar ainda de ser a nossa alma; como uma gota que se perdesse no Oceano, mas sem deixar de ser gota. Deus se dá inteiro em todas as coisas. Se pudéssemos ver a face de um elétron, essa seria a face de Deus. Se pudéssemos ver o Universo inteiro, veríamos a face de Deus. Se víssemos o Vazio, ainda assim lá Deus estaria. O excremento aduba e mesmo no cadáver nasce o verme. A gente pode quebrar uma rocha em milhares de pedaços, mas a essência da rocha nunca se desintegra, sempre se recolhe inteira em pedras menores. Quando amamos a ponto de esquecer nossos interesses, é Deus quem ama em nós. 



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