Uma caricatura do paradigma patriarcal
que comanda o mundo há muito e que, pelo jeito, ainda vai demorar um bom tempo
para ser dissolvido é o governo de Donald Trump, as crianças mexicanas
enjauladas como bichos, longe dos pais; mas não só. Temos aí os brasileiros
fazendo besteira na Rússia, nossa violência no trânsito, em casa, nas favelas.
O tal paradigma patriarcal independe de o sujeito ser homem ou mulher, visto
que já tivemos uma Margareth Tatcher, uma Condoleezza Rice... Ele é algo estrutural, caracterizado pela
completa falta de alteridade, de empatia. O outro é visto como objeto ou
inimigo. O planeta? Mais um brinquedo a ser explorado. Pura testosterona,
competição, egoísmo e pouco cuidado. No fundo, está a fraqueza, a insegurança e
o medo da morte, afinal, é preciso escrever nome na eternidade, realizar algo
imenso, como Áquiles em Troia; é necessário fazer algo heroico custe o que
custar, mesmo que seja um heroísmo às avessas, tipo Trump. A valorização do
feminino não é apenas um esforço por garantir representação de mulheres nas
mais variadas esferas, é construir, ainda que aos poucos, um novo paradigma
onde o cuidado seja o essencial, onde consigamos nos colocar nos sapatos do
outro, onde a mãe seja mais importante que o herói. É uma mudança profunda e
radical, mas também é uma das poucas saídas para as próximas gerações. Um pouco
mais Winnicott e um pouco menos de Freud. As sementes estão sendo plantadas,
mas o polo fascista também se enrijece, pois se amedronta.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
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