quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A LIÇÃO DE DIADORIM

Ultimamente,
Tenho pensado mais nos livros que na vida, apesar de que o que sempre me interessou na literatura foram os fluxos de vida, com tudo o que têm de bom e de ruim: fé e fezes. Não me interesso por truques estéticos; embora reconheça que, por vezes, o que um autor tem a dizer extrapola os dogmas linguísticos. Heidegger apontava a necessidade de libertar a língua da gramática. Como diria Riobaldo, pão ou pães é questão de opiniães. 
Vinicius de Moraes disse que a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida. Quando lembro dos versos do poetinha, lembro também do amor impossível entre Riobaldo e Diadorim... Tão impossível quanto o amor entre Cathy e Heathcliff... Tão impossível quanto o amor entre Romeu e Julieta.
O amor de Diadorim não é de salvação, nem de perdição, mas de doação. Todo o tempo, Maria Deodorina almeja a felicidade de Riobaldo, mesmo que seja junto a outra mulher; no caso, Otacília, a noiva... Isso sem contar os inúmeros envolvimentos de Riobaldo com prostitutas e ele, Reinaldo-Diadorim-Maria-Deodorina, ali, ao lado, zelando. O amor encarnado em Diadorim é puro despojamento, generosidade, alteridade, ou melhor, como conceituou Lévinas: sainteté... É um amor próximo, muito próximo, àquele evocado por São Francisco na parte final de sua oração:
"Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive
para a Vida Eterna."

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