sexta-feira, 14 de julho de 2017

A SEGUNDA NOITE

O sagrado se mostra de modo distinto a cada uma de nós. Se sois sério, virá o grave. Se sois violento, o trovão. Se acreditas na matéria, o sagrado será a pedra, ou a água. Se acreditas no espírito, será a luz. Regras, trabalhos e dogmas não são necessários. Tudo o que se pede é que se volte ao menino, até antes do EU, ao tempo em que nada se desejava, pois não havia divisão entre o Ser e o mundo. Quando tudo aquilo que aprendemos durante a vida se torna inútil diante dar dor, do sofrimento... Quando orgulho e força de vontade de nada valem, então voltamos ao menino e o Mestre surge no mesmo momento. Do vazio faz-se a Voz, da Voz faz-se o dois, o dois engendra o três e o três é a certeza de que nada morre: no interior do cadáver, nasce o verme. Não se ouvem vozes vindas de fora, mas o próprio Ser se divide em dois. Aquele que pergunta e o outro que responde, consola e guia. Neste instante, a crise estanca e renasce a esperança. A dor ganha contornos e se torna, portanto, mais fácil suportá-la. Durante duas noites, Guaccaluz e o Mestre conversaram. O mestre queria se despedir, mas Guaccaluz, tal qual menino mimado, não deixava.
Como Guaccaluz era contra todo espírito de gravidade. O mestre contou uma piada:
- Sabes, Guaccaluz, até o fim da vida serás feito menino... Mesmo teu corpo não envelhecerá.
E Guaccaluz, todo contente, perguntou:
- Sério?
- Sim – disse o Mestre - quando houveres completado setenta anos, aparentarás apenas sessenta e nove. Agora dorme, criança, e me deixe descansar😜

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