domingo, 4 de junho de 2017

SÍNDROME DE ROLANDO LERO: O CASO ANTONIO CANDIDO



- Seo Rolando Lero, o Sr. acompanha os cadernos de cultura dos jornais?
- Sim, como não?
- Seo Rolando Lero, de que morreu Antonio Candido?
- MMMOOOORRREEEUUU? Não posso crer, amado mestre! Estivemos juntos ainda mês passado, comendo uma bacalhoada. Candinho adorava um bom bacalhau assado com batatas e azeitonas da Ilha da madeira. Morreu Candinho, vai fazer falta. Tão triste ver morrer assim, de repente, um rapaz tão moço, praticamente recém-saído da adolescência.
- Seo Rolando Lero, Antonio Candido tinha quase cem anos.
- Sim, mas jovem em espírito.
- Seo Rolando Lero, que livro importante escreveu Antonio Candido?
- Amado mestre, lembro Candinho ainda jovem, bigodes pretos insuflados ao vento, com uma pilha de papéis ao sovaco. Imagine que aqueles eram os manuscritos de Casa Grande & Senzala. Ele corria atrás do Oswald, de Andrade, pelos bares da cidade, o qual reclamava: Ih! Lá vem o chato-boy...
- Seo Rolando Lero, Casa Grande & Senzala foi escrito por Gilberto Freyre. Antonio escreveu algo envolvendo sociologia e literatura.
- Sim, tem toda razão, como não? Um lapso, amado mestre, espero que entenda. Ele escrevia então Raízes do Brasil,sociologia, isso, costumava vê-lo rondando ali pelos arredores de Assis, na biblioteca da UNESP, cruzando o bosque, rabiscando e rabiscando e rabiscando papeis em branco, rasgando rascunhos.
- O Sr. está certo, em parte, Antonio Candido ajudou a fundar mesmo a UNESP em Assis, mas Antonio Candido escreveu Literatura e sociedade e não Raízes do Brasil que foi escrita por Sérgio Buarque de Holanda, pai do nosso querido Chico Buarque de Holanda.
- Sim, sim, sim... Serginho, pai de Chiquinho. Espero que entenda o novo lapso, mas e a nota?
- Porque acertou ao menos a biblioteca e uma universidade na qual o mestre realmente trabalhou, nota 2,0.

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