segunda-feira, 19 de junho de 2017

QUEM SÃO ESSAS MULHERES NOS MEUS SONHOS?

QUEM SÃO ESSAS MULHERES NOS MEUS SONHOS? Quem são esses seres que me envolvem em orgias etéreas, ou acalantos maternais? Dizem os junguianos que são expressões da anima, a parte feminina da psique masculina. Certos pós-junguianos como, por exemplo, Roberto Gambini, Ginette Paris e James Hillman, ampliam o conceito e apontam que se, no fundo, toda psique é regida pelo inconsciente coletivo, então anima e animus seriam expressões do masculino e do feminino universais: o diagrama do taiji, como já sabiam uns chineses de muito, muito tempo atrás. Mas, por serem tão reais, duvido que sejam apenas imagens sem substância. Cada uma delas tem um caráter, uma silhueta que me aparece em detalhes, com espinhas, celulites, cabelos longos ou curtos, e tudo o mais... Todas têm um modo de falar próprio e, inclusive, um sotaque. Nunca saio de uma noite em que sonho com uma elas do mesmo modo que entrei. Essas mulheres em meus sonhos são seres que nunca encontrei na vida desperta. Há uma delas, a mais depravada de todas, que retorna mais frequentemente. Sempre vem acompanhada por outras mulheres. Sei pouco de sua vida. Seu assunto é o silêncio e o sexo; desenfreado, sem regras. Há outra, sempre vestida de azul claro, que tem sotaque português, mas fala um português muito, muito arcaico. Entendemo-nos, porque, nos sonhos, não precisamos de uma língua comum para nos entender. Ela é pálida, magra, parece meio adoecida. Sempre traz palavras de conforto e tem uma fé inabalável no Bem. Algumas delas, aparecem uma vez para nunca mais voltar, mas surgem com um riqueza de detalhes físicos, anímicos e psicológicos que não há como crer que sejam criações de uma mente adormecida. Seriam fantasmas? Seres de outro tempo e lugar? Expressões de desejos reprimidos? Se soubesse desenhar, faria retrato de cada uma delas, tamanha é a realidade com que me surgem. Como não desenho ou pinto, tento anotar tudo em detalhes num diário de sonhos

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