sábado, 17 de dezembro de 2016

ALEPPO, CONCRETO E OUTRAS QUEBRADAS

G.K. Chesterton, pensador conservador inglês, dizia que "o perigo de o homem deixar de acreditar em Deus era começar a acreditar em qualquer porcaria: o concretismo, por exemplo." Não sei como ele previu o concretismo (delimitemos no registro do poema) já que morreu antes, em 1934; mas estes gênios - no sentido do romantismo - têm o órgão de vidência aguçada. Outro dia, por conta da morte do Gullar, e de uma postagem minha, houve aqui uma arenga danada. Pois bem, volto a ela, porque a resposta boa, pra mim, só vem depois, tenho o raciocínio lento. Na ocasião, um dos contendores. Homem ilustre, ilustrado e indignado colocou o vídeo acima em um de seus argumentos. Como que pra intimidar. Você sabe com quem está falando? Olha o Lattes desse Campos. Bem, tô cagando pra isso. No vídeo, tem o Haroldo de Campos falando umas bobagens. Sempre desconfiei que esses concretos tinham pés de barro, agora tenho certeza. Não que eu fique julgando cada palavra de um palestrante. Mas, quando o sabichão confunde Newton e Einstein logo de cara, depois diz que conheceu fulana "pela primeira vez", a gente começa a desconfiar. O vídeo só corrobora o que eu dizia, Haroldo de Campos não é poeta, o Físico aí, o tal Menezes, durante toda a entrevista é muito mais poético que ele, ao comparar o amor à poesia e ao trazer a lembrança de Vanzolinni, por exemplo. O representante do poeta fica sem palavras, é um robô da poesia. Na verdade, Haroldo é o anti-poeta, a anti-poesia. A diferença entre ele e João Cabral, é que um é um poeta magro, econômico, revolucionário e o outro é um charlatão rechonchudo, se passando por magro. Quer dizer que sabe de tudo, faz pose de que sabe de tudo; mas tudo nas coxas, soltando as maiores idiotices, atolado de leituras (superficiais, é bom que se diga) e atrofiado de sentimentos. Cabeça enorme, coração minúsculo. Cita Pessoa, O fingidor, mas se esquece do verso "a dor que deveras sente", porque a carapaça estética nunca deixou que ele sentisse coisa alguma. Um poeta de sentimento atrofiado é de lascar. E o que diz sobre Baudelaire e Mallarmé, foi dito por pelo menos uma dúzia de alemães e franceses antes, qual é "donc" (é importante o "donc", pois é ele que Mallarmé tenta pensar em diálogo com Descartes: Je pense, donc Je suis) a novidade? Outra coisa, esse papo de superar o discurso: 1º - em arte não existe superação, a física quântica pode ser mais acertada que a newtoniana; mas a pintura de Mondrian não é maior que a de Bosch ou Goya. 2º - Nada é superado fazendo-se pior. 3º - Não superaram o discurso, mas o inflaram, uma vez que, para que as palavras dispersas na página fizessem algum sentido, foi necessária toda uma construção conceitual ensaística. 4º - Quem superou a palavra, o discurso, pela via da própria palavra, foi Clarice Lispector. A palavra é uma forma pequena para um bolo grande demais, Clarice transformou a própria forma em bolo. Começo a desconfiar até das traduções, os malandros diriam recriações, para que não se possa contestar. O corvo por Fernando Pessoa, bate O corvo do Haroldo sem fazer força. Enquanto isso, em Alepo e em outras quebradas, os pais estão matando as filhas, antes que elas, além de mortas de qualquer modo, sejam também estupradas, sodomizadas, torturadas. Todo esteticismo é fútil. E não me venham falar que só a forma revolucionária faz o poema revolucionário. O poema nada pode diante do horror. Que pode uma flor diante do matadouro?
 O mediador da coisa ainda é o Cortela, o dos dedinhos: "Posso, mas não quero, quero, mas não devo, devo mas não pago." E lá vem ele sério...

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