sábado, 29 de outubro de 2016

POEMA DE ANIVERSÁRIO

Juntando cacos remenda-se um vaso, não um homem
Um homem se refaz de sua solidão, de suas crenças,
Das forças que vai catando daqui e dali
No olhar de um cão, no sorriso de um bebê
Nas palavras de um velhote que ainda trama revolução
Juntando cacos remenda-se um vaso, não uma flor
Tudo o que é vivo precisa colar seus próprios pedaços
Reconstituir sem fissuras sua inteireza
Uma flor se refaz de sua seiva, de sua água, do amor a ela dedicado
Ó abre as janelas e vê lá fora a primavera
É ainda tempo de luta e festa
É ainda ano de atravessar encruzilhadas
Juntando homens remenda-se um país, não uma nação
Uma nação se refaz com esperança, justiça, braços brancos e negros
Tolerância e botequins
Sorrisos de meninos e homens
Uma nação se refaz com mulheres desdobráveis, feito Adélia
com homens cuidadadores, feito Cláudio e Fernando
com pássaros cujo canto é celebrado num mundo sem música.
Juntando cacos remenda-se um prato
Nunca o amor, este permanecerá para sempre faminto, pois tem ânsia de infinito

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