sábado, 25 de outubro de 2014

Desculpe, Robin Williams

 Desculpe Robin Williams por não ter respondido a tempo ao teu olhar. De qualquer modo, tornei-me professor - Oh! Captain my captain - e deixo meu Folhas de Relva aberto sobre o criado mudo, feito um livro sagrado. Desculpe Robin Williams, por não ter respondido a tempo ao teu olhar, ao teu desencaixe, a tua maneira certeira de dizer a piada certa na hora certa. Só tem este timing quem sofre, só tem um sorriso como o teu quem sofre, quem presa o riso como um metal precioso porque não o tem fácil. Eu sou da América do Sul, eu sei... você nem vai saber, mas agora respondo, não para mim, nem para você, porque a gente não responde ao remetente, mas a um outro destinatário desconhecido. Assim como Vincent tentou responder a Millet, mas chegou a mim. Assim como Lô tentou responder a Lennon e McCartney, mas chegou a mim. Respondo agora, eu sei... você nem vai saber do menino que brincava de caubói com estrela de xerife... é que esta chama não se devolve, mas se passa adiante, Robin. É o fogo entregue aos homens e que os homens dividem entre si nas noites frias, de solidão, em que nem mesmo os dvds pornográficos parecem funcionar e então a gente, em nostalgia, volta ao velho Nostalgia do velho Tarkovsky, e se transforma no louco tentando atravessar a fonte com a chama acesa. Essa chama é o amor que tenta se manter aceso nos tempos do automatismo espiritual e da técnica. A gente levanta a chama, velho, e espera que um outro solitário responda, aqui, acolá, do outro lado do mundo. Essa chama é a chama que Milton Nascimento protege, que Leandro assopra para que ganhe força, que Fernando recolhe no olhar das crianças que repartem a merenda. Essa chama é você tentando curar o gênio problemático, mantendo o mesmo olhar no teu último filme ruim, de bigodes e óculos de John Lennon em Uma noite no museu. Fala sério, este último você poderia muito bem ter passado. I´m so sorry, Robin, por só agora ter comprado meu uniforme de palhaço, meu quepe de vigia... é que a gente sempre só percebe quando perde. Não faz mal, também tenho uns truques na manga, umas piadas antigas que sempre funcionam e as novas que brotam a todo instante em qualquer conversa, mas que eu sei e você sabe, vêm, inapelavelmente, do pântano. Desculpe só agora ter me preocupado... é que você estava tão distante, mas este seu sorriso puro e triste, este seu olhar puro e triste, está também, agora e sempre, espalhado por aí, nos cabelos estranhos dos jovens tristes que se reúnem pelas praças em busca de compreensão, nos velhinhos que jogam dama nesta mesma praça enquanto a noite cai inevitavelmente. Desculpe a minha letargia, eu buscava outros, mais próximos de mim, para socorrer, meu pai e a próstata, e esqueci que, do outro lado da tela, você gritava por socorro. Desculpe a lágrima que escapa por um olho só enquanto todos dormem, é que sou homem e não pega bem chorar com os dois olhos. Desculpe, Robin Williams, desculpe. Desculpe a todos os que estão andando por aí... sofrendo, a gente se sente frustrado. É que nunca chegamos a tempo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Resenha sobre o conto Pianista Boxeador

http://homoliteratus.com/programado-para-2-10-marcia-barbieri-resenha-seu-conto-predileto-pianista-boxeador-de-daniel-lopes/

Por Márcia Barbieri
Cola lá!