Meu sorriso cínico & orgulhoso desaparece do teu lado
Naquelas fotos que tiramos juntos
Meus olhos tristes & desengonçados desaparecem do teu lado
Naquelas fotos que tiramos juntos
Meus próprios rostos (eu tenho sete) não estão mais
Naquelas fotos que tiramos juntos
É como se nunca tivéssemos existido.
Guardado no porão dos teus dentes
Vai ficar o gosto agridoce do meu pênis
& entre teus seios, as cicatrizes causadas pelo meu esperma quente
Quando algum estranho perguntar por aquelas marcas profundas na tua pele
Quando alguém perguntar pelo gosto selvagem na tua boca
Aí e só aí
Vai surgir minha lembrança
Feito a cor cinza de um dia de chuva
Feito um véu evangélico
Feito a Burca surrada no rosto castrado de uma afegã de olhos azuis
- Será verdade?
Você vai indagar com teu coração de ficcionista
Enquanto eu
Caminhando para o outro lado dos retratos
De mãos nos bolsos
Vou assobiando um samba duro:
No seu rosto o pó de arroz, No meu peito a cruz de malta

5 comentários:
Daniel, que coisa mais forte, mais linda, mais cruel...um poema desses vai lá no fundo e o samba é bom demais!! Adorei as comparações"Feito a cor cinza de um dia de chuvaFeito um véu evangélico
Feito a Burca surrada no rosto castrado de uma afegã de olhos azuis-"
Arrasou, cara!
Beijão
Romance e crueldade dão as mãos com o passar do tempo das fotografias e, em cada momento as manuseamos com novos olhos.
O que prende a imagem no retrato nem sempre é o que deveria ser perpétuo.
Amei a poesia e o blog, passo a segui-lo com prazer!
Olá Daniel, me desculpe o sumiço.
Texto profundo e forte, confesso que é intrigante ler-te, as vezes causa até tristeza, e isto torna ainda mais interessante o texto.
Abraços,
Cris
Daniel meu caro amigo, dilapidador e cruel,celebro contigo estes assombros, grande abraço.
Vou te contar. Se a tristeza faz nascer poemas assim, que o mundo seja cada vez mais triste!
Já te adicionei no meu canto.
Abraços!
Postar um comentário