segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POR UM CORAÇÃO DE OURO

Somente a consciência da dúvida é que me faz inteiro
Procuro-me no pântano dentro de mim
Como procuro o olho de Deus num canto qualquer do universo
A fé está onde eu não alcanço
E a poesia está para além das palavras
Assim como o amor de Van Gogh está para além das tintas e das telas.
A música suaviza o caos
E as rosas escalam a tarde feito os vagabundos do Dharma
Eu acredito no Deus dentro do meu inimigo
Eu acredito no Deus dentro do meu corpo sensual
Eu acredito no Deus dentro dos desajustados e dentro dos que não entendem.
Qual é o sentido do magma, senão fugir de dentro de um vulcão ereto?
Qual é o sentido da chuva, senão que ela molha dentro de mim?
Qual é o sentido das flores?
A beleza não faz sentido e ainda assim emociona.
Lá fora os homens constroem templos
E acariciam os cabelos brancos do mistério.
Aqui,
Na memória dos meus órgãos,
Eu carrego as cicatrizes dos meus ancestrais
Aqui,
Na memória dos meus órgãos,
Eu arranco a coroa de Cristo e a planto na minha cabeça grande
Assim como arranco os pregos da cruz e os cravo em minhas mãos espalmadas
Eu levo em mim
Nos recônditos mais soturnos
O sangue das vaginas de dez milhões de virgens enganadas
O sangue de dez milhões de amigos traídos
O sangue de dez milhões de amores assassinados
Ninguém é inocente
Ninguém é culpado
O fim pode estar na próxima esquina
Por isso eu amo como quem morre
Os anjos tocam jazz com suas trombetas no fundo das minhas retinas.
A natureza esculpe crisântemos nos meus tímpanos.
Todos os meus sentidos são UM.
Cristos e Judas se perdoam no meu coração,
Enquanto a velhice vem a galope feito uma puta com as tetas de fora.
Vou deixar de lado as coisas de menino
E agir como Homem.
Meus filhos esperam que eu seja grande.
Eu também continuo cavando por um coração de ouro.

5 comentários:

f@ disse...

Olá Daniel,

O sentido perfumado das palavras...

!menso
beijinho

Adriana Godoy disse...

Um poema meio apocalíptico, cheio de referências universais e pessoais.
"Meus filhos esperam que eu seja grande.
Eu também continuo cavando por um coração de ouro." Esse arremate complementa lindamente a poesia. Um belo trabalho, Daniel, que faz pensar e ter esperanças. Arrasou. Beijo.

tania não desista disse...

oi,daniel! tanta sinceridade!
...ditou suas verdades!.suas esperanças! suas angústias! seus sonhos e devaneios!.
esbravejou,educadamente ,seus medos e anseios... belo!...veio direto de sua alma ...tão linda poesia.
bjo

Luciano Fraga disse...

Caroa amigo Daniel, um poema que desmascara, desafia, questiona, encanta, um poema de coragem. Um poema que fala de "DEUS E DO DIABO NA TERRA DO SOL", sem tapetes, sem meias verdades, a vida é isso aí,deve ser enfrentada com todas as ossadas, abraço.

jawaa disse...

Belo poema, Daniel.
Ditado com força!
Um abraço