Somente a consciência da dúvida é que me faz inteiro
Procuro-me no pântano dentro de mim
Como procuro o olho de Deus num canto qualquer do universo
A fé está onde eu não alcanço
E a poesia está para além das palavras
Assim como o amor de Van Gogh está para além das tintas e das telas.
A música suaviza o caos
E as rosas escalam a tarde feito os vagabundos do Dharma
Eu acredito no Deus dentro do meu inimigo
Eu acredito no Deus dentro do meu corpo sensual
Eu acredito no Deus dentro dos desajustados e dentro dos que não entendem.
Qual é o sentido do magma, senão fugir de dentro de um vulcão ereto?
Qual é o sentido da chuva, senão que ela molha dentro de mim?
Qual é o sentido das flores?
A beleza não faz sentido e ainda assim emociona.
Lá fora os homens constroem templos
E acariciam os cabelos brancos do mistério.
Aqui,
Na memória dos meus órgãos,
Eu carrego as cicatrizes dos meus ancestrais
Aqui,
Na memória dos meus órgãos,
Eu arranco a coroa de Cristo e a planto na minha cabeça grande
Assim como arranco os pregos da cruz e os cravo em minhas mãos espalmadas
Eu levo em mim
Nos recônditos mais soturnos
O sangue das vaginas de dez milhões de virgens enganadas
O sangue de dez milhões de amigos traídos
O sangue de dez milhões de amores assassinados
Ninguém é inocente
Ninguém é culpado
O fim pode estar na próxima esquina
Por isso eu amo como quem morre
Os anjos tocam jazz com suas trombetas no fundo das minhas retinas.
A natureza esculpe crisântemos nos meus tímpanos.
Todos os meus sentidos são UM.
Cristos e Judas se perdoam no meu coração,
Enquanto a velhice vem a galope feito uma puta com as tetas de fora.
Vou deixar de lado as coisas de menino
E agir como Homem.
Meus filhos esperam que eu seja grande.
Eu também continuo cavando por um coração de ouro.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

5 comentários:
Olá Daniel,
O sentido perfumado das palavras...
!menso
beijinho
Um poema meio apocalíptico, cheio de referências universais e pessoais.
"Meus filhos esperam que eu seja grande.
Eu também continuo cavando por um coração de ouro." Esse arremate complementa lindamente a poesia. Um belo trabalho, Daniel, que faz pensar e ter esperanças. Arrasou. Beijo.
oi,daniel! tanta sinceridade!
...ditou suas verdades!.suas esperanças! suas angústias! seus sonhos e devaneios!.
esbravejou,educadamente ,seus medos e anseios... belo!...veio direto de sua alma ...tão linda poesia.
bjo
Caroa amigo Daniel, um poema que desmascara, desafia, questiona, encanta, um poema de coragem. Um poema que fala de "DEUS E DO DIABO NA TERRA DO SOL", sem tapetes, sem meias verdades, a vida é isso aí,deve ser enfrentada com todas as ossadas, abraço.
Belo poema, Daniel.
Ditado com força!
Um abraço
Postar um comentário