terça-feira, 21 de julho de 2009

GO

(ALGUÉM AÍ SE SENTE COMO EU?)

Você é livre pra viajar
Você é livre pra curtir a noite e os bares
Você é livre pra beijar e pra foder
Afinal de contas a boceta é mesmo sua
Você é livre pra aprender inglês ou esperanto
Você é livre pra escrever talvez com s
E esquecer os pequenos detalhes e ritos que constroem um amor e uma história
Você só não é livre pra levar na carteira todo amor que havia nos meus olhos
Não é livre pra fazer (como já fez) piada do meu desespero
Não é livre pra sonhar sozinha ou acompanhada os sonhos que sonhamos juntos:
O filho de pé no quintal
Os quadros na parede da sala
O padre e suas bençãos feito o cobertor de um amor normal
Assim como o amor dos teus pais
Assim como o amor dos meus pais

Fica de tudo a enchente desse teu vestido vermelho

Enquanto eu,
do meu lado,
recolho a matéria clara que restou do teu gozo
E fabrico lãminas que decapitam
E as cordas negras que engravatam os suicidas

Entre nosso futuro ergue-se um muro maravilhoso...

3 comentários:

Adriana Godoy disse...

Daniel, muito intenso esse poema, os sonhos desfeitos ainda que permaneçam, a vontade ter mesmo que restos da pessoa amada, a dor separada por um muro imaginário...muito lindo e sofrido. Adorei esse verso:
"Fica de tudo a enchente desse teu vestido vermelho". Beijos.

Luciano Fraga disse...

De tudo e por tudo, os restos, os restos e estes são foda, parecem sujeiras escondidas embaixo de tapetes, é a tal negação do óbvio,derruba este muro e contempla até que os restos desmoronem por si, grandioso poema.Abraço.

Braga e Poesia disse...

a dor transtorna nossos carinhos e sorrisos, mas por outro lado descobrimos que ela a dor é tambem professora, e como aprendemos na dor.