terça-feira, 21 de abril de 2009

SUICÍDIO

Quando acordei, abri as janelas.
A cidade se lavava sim.
A primeira grande chuva depois que você partiu.
Fui até o pé de manga e não havia mais manga,
mas reforcei com o canivete nossos nomes dentro do coração da manhã.
Voltei.
Não tinha café.
Então fiquei olhando aquela sua revista velha,
que tem na capa um enorme cavalo negro.
Toquei sua crina.
Ele não se fez arredio.
Passei de leve a mão no dorso forte.
Ele não demonstrou asco.
Montei-o com a leveza de uma virgem.
Ele aceitou.
E assim,
como quem já sorriu,mas apunhalou o riso,
Partimos pro outro lado do espelho...
E a tua escova ainda na pia do banheiro...

(TEXTO MAIS ANTIGO)

10 comentários:

Adriana Godoy disse...

E o teu poema ainda ressoa..."E assim,
como quem já sorriu,mas apunhalou o riso,
Partimos pro outro lado do espelho..."Nossa, Daniel...que beleza de poema. Li umas três vezes seguidas...depois vou ler de novo. Lindo, forte, contundente, uma gillete nos pulsos. Beijo.

f@ disse...

Olá Daniel,
o belo c o r t a n t e dos teus poemas...
reforço do c o r ação ante as emoções...

sem o punhal do riso nas lágri m a s...
esti l(h)aços no espelho...

Belo... longo o breve...

beijinhos

Luciano Fraga disse...

Triste gosto amargo, se pudéssemos, certas horas entraríamos no espelho, de cortar, abração.

JC disse...

Danel, os teus textos, os teus poemas, são sempre bastate fortes, com franses ou versos muitos intensos e que nos levam a reflectir e ranportar o que escreves para a realidade, para este mundo que hbitamos.
Um abraço

Adriana Godoy disse...

Daniel, desculpe usar o seu espaço. Recebi o seu livro e estou muito feliz. Só posso agradecer e não vejo a hora de começar a saboreá-lo. Seu gesto me deixa encabulada, mas o seu livro é um presente sem tamanho. Estou esses dias adoentada,com febre, dor no corpo, é alguma virose que me nocauteou. Estou de licença do trabalho, e meus olhos ardem e não posso forçar muito. Achei linda sua dedicatória e saiba que tem muito valor pra mim. Um beijo e assim que melhorar te dou notícias sobre o livro. Vou pra cama, comecei a ter febre de novo. Beijo.

donnanina disse...

Amei oq escreve.
Visceral!
Voltarei aqui mais vezes, pq quero ler tudo devagarinho, sempre pressa.

marcio mc disse...

Grande viagem cara,muito bom.

On The Rocks disse...

massa!

esse é dos meus. parabéns!

abs

Fabiana de Brito Gomes disse...

Adorei te conhecer...Te li através da Frida e tal. Pelo título de um livro com as palavras amadas "caos, dança e estrela" eu pensei: preciso conhecer esse cara. Muito bem. E obrigada. Finalmente tenho um blog pra acompanhar! Bons trabalhos, sir!
Ah, o comentário tá aqui porque eu precisava te ver na poesia. Simplesmente...Ah, tudo de bom. Não sei como elogiar uma obra de arte. Só fico ali, eu nela, ela em mim. Grande abraço.

ronaldo braga disse...

o pior é a presença incomoda da escova de dentes na pia do banheiro.
esse texto forte, nos coloca diante do tempo e dos simbolos, numa confusão de "gestus", que nos faz sonambulos de nós mesmos. e mesmo que se vá para o outro lado do espelho tem aquela presença a nos incomodar. como a escova na pia do bamheiro.