quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ULTRAVIOLETA

Muros crucificados
Um Cristo dependurado em cada beco
Meu registro de batismo queimado
Flutuando feito uma dezena de urubus
Ó mãe, onde foi que nos separamos?
Onde foi que deixamos de nos entender?
A tempestade fez da tua cama um canto ermo
Todos os amantes que você não teve
Negaram-me a alcunha de pai.
E o que importa?

Ó mãe, por que o nosso amor não foi suficiente?
Por que o medo fez de mim um depravado,
E de você uma lágrima entre rugas?
A morte está na estrada
Você conhece alguém que não está morrendo?
Crepúsculos sufocados nos teus olhos
Luas cheias nos meus dedos
A covardia joga o próximo na fogueira, sabia?
Teus filhos já não são,
Não serão jamais.
Em verdade vos digo que o amor não foi suficiente.

Jesus de tênis faz pose para as fotos no jardim.
Sou minha imaginação.

13 comentários:

Adriana disse...

Nossa! Arrepiei! Forte, sofrido, lírico, cruel. Um poema pra se ler várias vezes. Versos como estes comovem: "A tempestade fez da tua cama um canto ermo
Todos os amantes que você não teve
Negaram-me a alcunha de pai."
Daniel, repito: adoro seus textos, sejam poemas ou não. Um beijo.

On The Rocks disse...

muito bom. tô com seu romance aqui que o luciano me emprestou.

vou lê-lo assim que tiver um tempinho.

abs

Braga e Poesia disse...

Ó mãe, onde foi que nos separamos?


para alguns filosofos o nascer é a grande desgraça humana. o cara sai da perfeição para um mundo como esse que conhecemos.
esse poema de daniel discute coisas profundas.
li duas vezes e vou ler mais não sei quantas e é provavel que volte aqui para comentar de novo.
mas um poema que mais do que belo nos faz pensar a vida.

Adriana disse...

Li de novo e me arrepiei de novo. Vc é foda, cara, no bom sentido. Obrigada, mais uma vez, por suas doces palvras em meu blog.Bj

Luciano Fraga disse...

Meu cara,simplesmente arrepiante, me perdoe,difuder mesmo.Um todo,sufocante, atormentador leva-nos ao repensar, grande abraço.

f@ disse...

Olá Daniel,
Belo poema...
Nas tempestades da vida, andamos sempre a espreitar a bonança,... nas dores e nas lágrimas um so(r)riso ... um lenço e um grito...
e um beijo das nuvens

JC disse...

Belo poema. Descreve na perfeição tantas realidades vividas em cada canto deste mundo que habitamos.
Um abraço

Adriana disse...

Oi, Daniel, desculpe ocupar esse espaço, não gosto de fazer isso, mas como é estréia, no "poema dia" tem um poema meu. Não é inédito, mas não teve outro jeito. Se der, dá uma conferida lá. Beijo e boa semana procê.

http://poemadia.blogspot.com/

Cristiana Fonseca disse...

Sublime e profundas palavras, nas linhas e nas entrelinhas
Abraços,
Cris

jawaa disse...

Muito, muito belo.
Um abraço apertado

Luis Carlos disse...

Gostaria de saber de como está o mercado editorial para você? Você é muito bom. Apesar de poesia ser um gênero que naõ vende, não dá pra viver de poesia, mas a gente ver tanta coisa ruim publicada. Ou sou eu que não entendo nada de poesia? só sei que para mim seus versos jorram sangue, neles estão estão contidos todo o mistério, toda a dor, todo o sumo do que se pode chamar de vida. Sua poesia é de um intimismo universal, está acima das pieguices tediosas que muitos insistem em chamar de inspiração.

[ rod ] disse...

Vim de outros blogues e encontrei tb amigos por aqui... sua poesia é forte e aqui baseia-se no santo sacro até o profano real.

Abçs meu caro,








Novo Dogma:
convenHamos...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

Adriana disse...

O Luis Carlos tem razão. É isso que sinto também. Beijo.