domingo, 15 de fevereiro de 2009

TÃO PERTO, TÃO LONGE.

Um ao outro era tudo o que tínhamos
Café nas noites frias.
Cerveja nas noites quentes.
Cardumes de sonhos nadando no lago dos teus lábios.
Continuar, depois do fim, é cultivar um fogo-fátuo,
É carregar nos bolsos o cadáver de uma dezena de amores fracassados.

E Deus se diverte!
Ele também só quer ser amado.
Feito um menino mimado qualquer,
Cuja mãe não existe.

E dizem que Ele ama a humanidade, querida.
Seis bilhões de sacos de merda
Atravessando essa ponte sem sentido
Seis bilhões de sacos de merda
Inventando um teatro de amor
Em meio a traições, doenças venéreas fatais,
Cânceres que se formam entre as bolas
Todos aqueles livros que não lemos...
Todos aqueles livros que não escrevemos...
Todas aquelas canções que não ouvimos...
Todo o amor que não fizemos,
Que deixamos para amanhã,
Nunca sequer imaginamos que aquele era o último dia
Que não haveria mais amanhã e que o Sol estava morto.

E todas essas crianças metralhadas...
E essa confusão mental...
E os homens em busca de mais dinheiro e mais dinheiro e ainda mais dinheiro.
- Afinal por que você está surpreso, Daniel?
Acaso esperava um outro final para o espetáculo?
Acaso imaginou que as drogas o salvariam?
Bem... tenho algo a te dizer, meu velho,
Elas enferrujaram todos os teus sonhos
E crucificaram os teus amores.

Cardumes de sonhos nadavam no lago dos teus lábios.
Aos cinco anos quebrei o braço e as esperanças.
Tentei de tudo, mas não criei uma nova estética.
Tentei de tudo e minha poética provou-se rouca.
Pela cidade a boa nova esbarra nos edifícios.
Feito um novo Noé, pelejo com as tábuas do meu barco
E procuro nos céus um sentido e discos voadores.
Lá fora chove
Nos vidros da janela da sala
Uma gota insignificante encontra outra
Que busca uma outra,
Que se junta a uma terceira,
E formam uma correntezinha que desce e desce,
Mas também morre.

É muito frio, o vento que sopra dentro de mim.

11 comentários:

pianistaboxeador21 disse...

Estava chovendo hj e eu fiquei ouvindo David Bowie, principalmente a canção five years. Acho que ela tocou algo em mim e o poema saiu.
Já não era sem tempo.
Espero que gostem,
Abraços e uma boa semana a todos.
Daniel

Adriana disse...

"É muito frio, o vento que sopra dentro de mim." "E procuro nos céus um sentido e discos voadores." Pesquei esses trechos, porque me tocaram de uma forma especial. O poema é, em certo aspecto, o cotidiano que transparece em cenas meio poéticas, meio tristes, meio apocalípticas. "o sol estava morto".Os versos perturbam e deixam a mente e coração inquietos.Mais uma agulhada lindamente poética. Beijo.

ronaldo braga disse...

existe um video meu que ta no youtube, chamado minha mãe não nasceu.
seu texto é bom e pode crer são seis bilhões de merda, andando por ai, comprando sujando e pasmem rindo a toa.

Luciano Fraga disse...

Tem soprado ventos gelados dentro de todos nós, perdemos as origens primitivas, as tribos foram dizimadas, então esperar o que?E "Deus só quer ser amado".Esta é a função de uma poesia, incomodar, e esta é do caralho, abraço.

Nanda Assis disse...

qnto sentimento tem aqui.

bjosss...

[ rod ] disse...

Quando as dimensões se encontram, nossas diretrizes tomam sentidos únicos e, por vezes, perturbador.

E nesse eixo confuso não obstante ainda sim... podemos ser sós.

Abçs meu caro e ótimo texto.








Novo Dogma:
sonHos...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

JC disse...

A sociedade em que vivemos foi criada por nós e pelos que antes de nós viveram.
Provavelmente esquecemos e esqueceram-se de nos transmitir valores e sentimentos para costruirmos uma sociedade melhor; sem guerras, sem fome sem descriminação, sem mal.
Mas será que algua vez iremos conseguir uma sociedade ideal?
Secalhar não... Para a melhorarmos é necessário que haja boa vontade e tudo e de todos e tenho dúvidas que isso aconteça.
Um abraço

Marcia Barbieri disse...

Vá escrever bem assim lá em casa!!!Tb com a mulher maravilhosa que você tem não me admira que escrevas tão bem!!!!


beijos e te amo gatíssimo

f@ disse...

Sabor de vento

Amargo do frio abraços das asas da tua pena inspirada nesse som de David Bawie…
Tb gosto mto da "Wild Is The Wind"
Mel o dia sobre as ondas as palavras á flor da pele…
Sentir o paraíso e o céu… o bem tão perto do inferno dos Homens….

Belíssimo poema

Beijinhos das nuvens

Marcia Barbieri disse...

Esses versos são maravilhosos e os sinto tão verdadeiros: "Continuar, depois do fim, é cultivar um fogo-fátuo,
É carregar nos bolsos o cadáver de uma dezena de amores fracassados."
Você realmente é um escritor de excelência!!!!

beijos ternos

Cristiana Fonseca disse...

Somente me resta uma palavra:
Sublime.

Abraços,
CrisFonseca