sábado, 29 de novembro de 2008

I have to go home

Na maioria das vezes
A melhor maneira de se perdoar uma pessoa
É cantar uma canção antiga pra ela, sorrindo
Mas eu não sei cantar
E tenho sempre a boca dormente demais pra sorrir
Meu sorriso é leite coalhado

YOU ARE HOME, MY FRIEND

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O MUNDO É UM MOINHO

Ainda é cedo amor... Não me perguntem por que, mas tudo estava degringolando. Em se tratando de tempo, a coisa era até recente. Três meses de namoro e cinco meses de casamento. Éramos do tipo de pessoa que se entregava de corpo e alma. Pelo menos eu era do tipo de pessoa que se entregava de corpo e alma. Amor. Amor e sexo são as duas coisas que mais separam as pessoas. Todas as traições, as mentiras, os subterfúgios são conseqüência. Na raiz de tudo está o amor e por extensão, o sexo. Eu estava com aquela tremenda peixeira cravada nas costas, porque ela era baiana e não tinha piedade... e eu era homem e tinha que me humilhar... e ela era mulher e fazia pouco caso da minha humilhação. Antes dela, eu não conseguia entender esses caras que se subjugavam, pra mim não passavam de um bando de frouxos. Homem é homem, porra! E mulher é mulher. Mas ela fodeu a minha vida e a minha cabeça. Havia mais de um mês que eu não dormia, incomodado com a tremenda dor nas costas que a peixeira me causava. Eu era agora um froxo, como todos os outros frouxos do mundo. E ela era negra e baixa, e eu era alto, e loiro, e quieto. Às vezes soltava algumas piadinhas, mas no fundo eu era um quieto. Eu estava...

Eu estava triste. Depois dela, eu vivia triste. Bosta, eu a amava, mas ela me entristecia e me desesperava. Talvez porque eu nunca tenha sabido quem ela era de fato. Mistério era o seu nome. Mistério é o seu nome.

Neste dia, ela chegou do trabalho nervosa, soltando um trilhão de palavrões por segundo. Não quis fazer amor. O que ainda me fazia sentir bem era o sexo. Todo o resto era domínio dela. A cama era domínio meu. Pelo menos eu pensava assim. Mas em breve isso ia mudar. Era só que eu ainda não sabia. Cruzes e crisântemos entrelaçando-se às serpentes no jardim.

Ela começou a arrumar a mala nova que comprara há pouco tempo. Eu já devia ter desconfiado.

- Onde é que você vai, querida? Perguntei.
- Vou a um samba e não volto mais.
- É?
- É.

Acendi um cigarro e enchi uma xícara de café. Ela continuou concentrada na mala.

- Você tem certeza? Perguntei.
- Tenho, não existe mais como a gente ficar junto. Até a tua risada me irrita ultimamente, Dan.
- É?
- É.
- Eu ainda acho que a gente podia tentar.
- Não tem como, a gente não tem mais nada a ver. Desculpe.
- É, mas o sexo pelo menos é bom, bom não, ótimo, ou não é?

Ela sorriu com desdém e enfiou a peixeira ainda mais fundo. Não existem mulheres piedosas, meu amigo.

- O sexo é bom? Ela perguntou quase gargalhando. O sangue que escorria ao lado da peixeira empapava minha camisa e algumas gotas começavam a cair no chão.
- Pra mim pelo menos era, pra você não?
- Ora Dan, deixa isto pra lá. Não tem mais importância. Acabou, meu bem.
- Como não tem importância, pra mim tem muita importância sim. Então pra você não era bom? Era tudo fingimento?

Ela deixou a mala por um momento e se levantou. Olhou no fundo dos meus olhos. Ela era forte. Tirou o cigarro da minha mão e tragou fundo.

- Olha, Dan, não é que tudo era fingimento, mas eu nunca cheguei ao orgasmo com você. Mulher é diferente, nunca goza durante a penetração.
- É, mas eu sempre te chupei. E até demais.
- Eu sei, querido, mas você ficava enfiando os dedos, me cutucando, aquilo me desconcentrava, repuxava, não era legal.
- É, mas você gemia alto.
- É gemia, mas e aí?
- Nada, deixa pra lá. - Falei acendendo um outro cigarro. Peguei mais um pouco de café. Bebi e então toquei no assunto que me estava incomodando. – Você já tem outro? Perguntei.
- Você quer saber a verdade ou a mentira?
- Sei lá eu, mas diz aí a verdade vai.
- Já tenho.

A ferida doeu ainda mais, ela sabia mesmo como manejar aquela peixeira.

- Como ele é?
- Não começa, Dan, isso não faz diferença, não fica se martirizando. Ninguém tem culpa.
- Ninguém tem culpa, mas eu quero saber como ele é, porra!
- Ah! Vai começar a gritar é? (Ela adorava gritar com os outros, mas odiava que se gritasse com ela) Se vai começar a gritar, então escuta também, se é o que você quer saber. Ele é alto, mais de um metro e noventa, acho que fica até desproporcional comigo, é negro, dança um samba como ninguém e eu me sinto bem com ele.
- Você se sente bem com ele?
- Me sinto.
- E ele te faz gozar?
- Pára com isso. A gente não precisa falar dessas coisas.
- Não precisa uma porra! Ele te faz gozar? Ele tem um pau grande e gostoso assim como o meu? Sua vaca.
- Vaca é! Pois eu gozei com ele desde a primeira vez e olha, gozei como nunca tinha gozado antes nem com o meu ex-marido. Quanto ao pau dele? Dá dois do teu.
- Então tudo o que vivemos foi pura perda de tempo? Falei apagando o cigarro.
- Não é que foi perda de tempo, com você a coisa foi mais espiritual, foi uma coisa de almas, entende?
- Eu quero é que se fodam os espíritos e as porras das almas. Entendeu? Eu quero é que se fodam!
- Tudo bem. Ela disse muito equilibrada e foi pro quarto finalizar a mala.

Eu enchi outra xícara de café e procurei outro cigarro, mas o maço estava vazio.
Ela terminou com a mala e parou no meio da sala.

- Eu nunca soube dançar samba, né? Falei.
- É, nunca, acho que você é branco demais.
- Mas tenho um bocado de discos do Cartola.
- Que que é Cartola? Algum mágico que canta? (Ela perguntou, ela era jovem).
- Cartola é um sambista.
- Sei, é dessas músicas velhas que você ouve, né?
- Pois é.
- Tenho que ir. – Ela disse.
- Tudo bem. – Eu respondi.

Abri a porta. Ela me beijou no rosto. Vi-a desaparecendo no jardim de crisântemos, onde eu imaginara que seria feliz.

- O mundo é um moinho! Gritei antes dela sumir.
- Não importa, eu quero ser moída até o final.

Voltei para casa. Tranquei a porta. Coloquei um Cartola e comecei a lavar a louça, olhando através da janela os crisântemos lá fora. E então me lembrei dos dois papéis que estavam guardados no bolso do meu paletó vermelho, havia mais de dois anos. Fui até o quarto, peguei a cocaína e estiquei a primeira letra do teu nome sobre o mármore da mesa da cozinha. Cheirei de uma vez só e me senti bem, mas lá fora garoava, e na vitrola o Cartola cantava e nos quintal havia os crisântemos e ela nunca tinha gozado comigo. Nem uma vezinha sequer. Eu me sentia vazio e dolorido como um dente furado. De cada amor tu herdarás só o cinismo. Meu pai havia me dito quando eu tinha onze anos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

OLHANDO E ESPERANDO


Eu estava pintando tudo. A plantação e a árvore e os pássaros negros. Olhando e esperando. Sempre olhando pro caminho e esperando alguém que me pudesse entender. Só que o caminho estava sempre vazio, como o forno à lenha sem lenha da minha avó. Mas eu tinha os meus pincéis e a plantação e a árvore e os pássaros negros e ficava lá bem quieto sentado à beira do caminho. É bem triste estar no mundo e saber que nunca haverá alguém que o compreenda. Num planeta tão cheio de gente e a gente ser sempre calado e só. Eu deveria ter ficado quieto no meu canto com o meu mundo e os meus pincéis, mas fui abrir a boca e me perdi e agora estou perdido e sozinho. De segunda a sexta, tenho um trabalho e algumas roupas que lavo engomo e ponho no corpo, mas existem então os finais de semana e os feriados e eu venho aqui pra esse lugar e fico pintando sempre a mesma paisagem. Imagino que estou tentando recuperar as coisas que deixei saírem da minha vida, ou as coisas que nunca estiveram na minha vida e o caminho é sempre vazio, como um velho navio abandonado e enferrujado que vi na infância em algum porto de Espanha, ou de Portugal, não me lembro bem.

Penso gentilmente se numa época qualquer, do futuro ou do passado, chegará o dia de eu ver de novo esse rosto que conheço sorrindo, contudo sei que o rosto se perdeu e o sorriso também. O outro lado da máscara do teatro é o choro. E não é mesmo esse planeta um imenso palco? Você disse que eu era pequeno-burguês, porque eu tinha um carro, um terno e um trabalho. Não era bem isso, eu também tinha filhos a quem dar de comer, ideologias nunca encheram a barriga de quem quer que fosse, você sabe bem, agora que passou a viver o outro lado da coisa e administra sua Arte como um negócio promissor e lucrativo. Fico orgulhoso quando penso no seu sucesso. Todavia, eu bem sei que o meu orgulho não faz a menor diferença pra você que é forte e olha pro futuro. Eu é que sempre fui um fraco. Às vezes, quase sempre pra dizer a verdade, os fortes me dão no saco. Às vezes até a tua lembrança me dá no saco. Você sempre olhando o futuro e as avenidas, enquanto dirigia, com aquela expressão de quem sabe exatamente onde quer chegar. Esse mundo escroto em que você vive me dá vontade de vomitar. Mas eu ainda te espero (ou não?) e sou paciente e tenho a paisagem e os pássaros negros e a estrada, mesmo que a estrada esteja sempre vazia, eu continuo por aqui. A menos que a semana comece outra vez.

Deus é testemunha de que tentei, de que fiz de tudo pra te arrancar de dentro de mim. Todos aqueles homens ao teu redor, circulando você, como se você fosse o prato principal. E você burra e bêbada esbanjando o teu corpo e o teu carinho com qualquer idiota que aparecesse. Todos eles só queriam te foder no rabo. E você, míope como sempre, foi e deu o rabo pra eles se fartarem. Sei que o rabo é e sempre foi seu e que todo o espetáculo não representou nada pra você. Mas em algum instante você parou pra imaginar como eu me sentiria, ouvindo aquele bando de idiotas comentando o que fizeram com você na sexta à noite, ou no sábado de manhã?
- Sexo é vida, meu bem! Você me gritou nos ouvidos.
- Você sabe, ele era gay, mas era tão bonitinho e tinha a festa e a cerveja, rolou um clima e aconteceu. Você me gritou nos ouvidos com a empáfia que lhe é característica.

Sei que sexo é vida, meu bem, mas pra mim também é sagrado. Não sou moralista. Nunca fui moralista, mas acho que a gente tem que pôr um pouco o coração no meio dessa coisa toda, se não fica muito vazio, mais vazio que masturbação. Sem transcendência é pura perda de tempo. Não sei o que você pensa, também não quero saber, você põe um salto alto e chuta todo mundo pra escanteio sem cerimônia. Na sua cabecinha de menina isso é ser forte e independente. Pra mim é só burrice e insegurança. Não é vergonha nem humilhação nenhuma a gente tentar dar o lado mais terno pra alguém. Não é vergonha nem humilhação nenhuma a gente acariciar quem ama. A própria Frida, que você tanto ama, se pintou de mãos dadas consigo mesma, com o coração de fora e seu belo vestido branco. Ela não tinha vergonha de dar o coração, como você, muito pelo contrário. Sei que vai parecer choradeira, mas que se fodam as aparências, pois eu quis criar um mundo inteiro e novo e bom pra nós dois. Eu quis te mostrar as coisas mais bonitas do mundo que moravam dentro de mim e você chutou minha canela com força. Característico. Previsível. Que a sua solidão, ao contrário da minha, seja leve. Você tem seus derivativos: a cerveja, os machos, as festas. Eu não. Gosto de beber, mas gosto demais e não posso.Tenho que viver só com a minha cabeça e esta paisagem. Agora chega, vou trocar os pincéis por uma faca e te arrancar de vez de dentro de mim. Assim que a ferida cicatrizar, e ela vai cicatrizar, vou comprar uns livros e estudar latim e russo. Quero ler Petrônio e Fiódor Dostoyévsky.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

OBRA-PRIMA

Ele realmente não se sentia bem. Uma bruta ressaca e aquela típica vontade de morrer que sempre cerca os desesperançados. Mas para ele ainda havia esperança, ainda que fosse pouca. Muito pouca. Olhou a porra do rosto no espelho retrovisor. O lado direito parecia o lado direito de um monstro, inchado, roxo, cheio de sangue seco e de sangue pisado. Que merda! Que grande merda!

Acendeu o cigarro e deu uma longa golada na última garrafa de cerveja. Nada disso faz diferença, pensou, nem a estrada, nem os pássaros, nem esse rio (porque o carro estava parado bem próximo do rio) nem o céu, nem porra nenhuma, se a gente vai pro saco, se a gente entrega a rapadura, se a gente vai embora, tudo isso continua, e o sol continua, e a chuva continua, que bosta! Estava mesmo perdendo as esperanças, ainda havia uma última, mas ele com certeza não ficaria com ela, era só uma questão de tempo.

Então terminou a cerveja e jogou a garrafa no rio. Que se fodesse a ecologia. Acendeu outro cigarro, que se fodesse a saúde também, e foi fumá-lo embaixo de uma árvore. Olhou o relógio. Ela estava atrasada. Porra! Ele tinha enfrentado toda aquela encrenca. Tinha apanhado mais que um cachorro vagabundo e agora ela se atrasava. Era mesmo pra qualquer um perder a paciência... e a esperança. Jogou a bituca do cigarro no chão e a apagou com a sola da bota. Tirou a gaita do bolso e começou a tocá-la, não tocava muito bem. De qualquer forma aquilo ajudava a passar o tempo.

Antes de terminar a primeira canção, porém, viu-a surgir junto ao Sol que nascia, no fim da estrada. Sorriu, era aquele último pouquinho de esperança. Ela veio vindo feito um gato, quando ele, o gato, anda meio de lado, com cuidado e sorrateiro. Usava um daqueles vestidos de hippie azul que ficavam tão bem nela. Ele levantou, guardou a gaita no bolso e limpou a parte de trás da calça. Sorriu, e o rosto machucado doeu.

- Nossa você está horrível, caubói. – Ela disse tentando tocar o rosto dele, mas ele evitou.
- Sua família, aqueles anjinhos, fizeram isto.
- Que merda!
- Não tem importância. Vamos? Não podemos perder tempo.
Ela sorriu de lado. Realmente parecia um gato. Olhou pro rio. Olhou para as árvores. Olhou para o céu e para o chão: nada disse.
- Que foi? – Ele perguntou – Qual é o problema?
- É que estou confusa, não tenho certeza de que estamos fazendo a coisa certa.
- Como assim?
- Não sei. Só sei que estou confusa.
- E só agora que você me avisa, Ana, que grande merda! Depois de tudo que eu me fodi, você vem me dizer que está confusa.
- Não tenho culpa é que...
- Faça-me um favor, volte pelo mesmo caminho que veio.
- Não precisa ser assim, Danilo.
- Como não? Eu arrisquei tudo. Isso não é brincadeira, porra, é a nossa vida, menina. É a minha vida. Não posso mais voltar pra casa. Não tenho mais nada.
- Desculpe... eu não queria...
- Tudo bem, não faz diferença. Pegue minha gaita, um último presente, e volte pra sua casa.
- Você vai ficar bem.
- Não, mas foda-se.
- Desculpe.
- Tudo bem.
- Caubói?
- Fala.
- Não posso aceitar a gaita.
- Pega logo a porra da gaita e sai da minha frente, pelo amor de Deus.
- Desculpe. – Ela ainda disse mais uma vez, entretanto ele não disse palavra. Ela virou de costas e foi caminhando pela estrada. Diminuindo aos poucos, ficando cada vez menor, sua imagem ficou estremecida, por causa do Sol e, por fim, desapareceu. Ele caminhou até o carro, um Maverick, é necessário dizer, apanhou no banco de trás uma espingarda calibre doze, apoiou-a no chão, tirou a bota e a meia, colocou o dedão do pé no gatilho, a boca no cano e pressionou o dedão pra baixo. O estrondo fez os pássaros voarem das árvores, junto à última esperança que escapou do corpo do rapaz.

Minutos depois, uma jovem artista, pintora medíocre de paisagens, chegou ao lugar. Antes de chamar a polícia resolveu pintar toda a cena.

E pintou uma obra-prima, porque a morte ainda estava por ali e deixou o ar mais denso e nenhum artista, ainda que fosse medíocre, poderia ficar indiferente a toda aquela atmosfera. As pessoas que viam a tela, mesmo vinte anos depois, ainda se emocionavam, sobretudo com o pé descalço do rapaz.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

EXISTE UMA CIDADE...

Existe uma cidade onde todas as nossas esperanças renascerão
E nós deixaremos as luzes acesas
Com aquela sensação boa de natal, família e amizade
Estes pássaros escuros de agora fazem parte do caminho
A felicidade exige esforços e sacrifícios
Mas nosso corpo esfolado
Nossos olhos ardidos
As torturas estampadas em nossa face
Serão parte de um passado de sonho
E, lado a lado, saberemos que valeu a pena
E o teu amor cobrirá meu corpo
Como um longo manto sagrado
E os teus olhos que nunca duvidaram
Terão certeza de que fui um rei no que fiz
Porque eu entreguei o meu corpo
Porque eu entreguei meu espírito
Porque eu entreguei todo o meu ouro e meu tempo
E caminhei pela terra como um morto vivo
Pra te gritar uma nova estética de amor e brutalidade

Existe uma cidade onde nossos filhos andarão nus pelas ruas
E as pessoas colherão a bondade pelas esquinas com mãos cálidas
E olhos que compreenderam
Louis Ferdinand Céline, de negro, planta flores de ódio em seus vasos nesta cidade
Mas até ele só quer acreditar e fazer o amor.
Também nós andaremos nus pelas ruas
Exibindo cruas todas as nossas cicatrizes
Porque o nosso corpo é a bandeira maior da nossa luta
E a nossa luta é a bandeira maior da nossa estada
E a nossa estada é tudo o que temos
Que o meu verbo ereto faça do teu útero uma floresta
Que o teu útero faça do teu gozo meu destino
Que o nosso destino esteja lado a lado
Como os trilhos de uma velha estrada de ferro.

Existe uma cidade
Onde Jimi Hendrix arranca papoulas da guitarra
E nosso corpo é imortal
Ainda que eu caminhe com meus olhos roxos
Vou deixar minha luz brilhar
Porque sei que existe uma cidade
Onde a felicidade corre nos fios feito eletricidade.