domingo, 7 de dezembro de 2008

Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo

Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo
Nunca aprendi a nadar
Nunca aprendi a ser forte
Nunca aprendi a enfrentar os outros e os dias
Do teu vestido de baile desmoronam prazeres imensos
E eu me masturbo só com as mãos que tenho em mãos
Feito um menino que não soube crescer
Feito um adulto que não deixou de ser pequeno.

Longe das tuas águas eu morro de sede
Dentro das tuas águas eu me afogo
Enferrujo
Prego no fundo da lagoa
Chave de fenda sem fenda no espaço
Teu corpo pequeno e imenso
Sugando meu corpo rígido e cansado
Enquanto Deus assobiava la vie en rose

Mas isso já não é.
Mas isso já não é.
Mas isso já não é, nunca mais, por toda a eternidade, sempre.

Em águas tão profundas como as tuas eu me afogo
Longe das tuas águas eu morro de sede
Distantes gritam tambores teus
Sons negros entrecortando a noite inda mais negra
A traição faz apodrecer o amor
Como os dentes da boca de um louco
A traição
Faz do teu rio esgoto a céu aberto.

4 comentários:

f@ disse...

Olá Daniel,
Desculpas pela ausência mas o tempo ... que não sei como esticar....

Excelente poema…
Afogam e afagam as águas…
Rio profundo e transparente …

Beijinhos das nuvens

On The Rocks disse...

belo poema daniel.

então, em breve passarei os poemas prá você.

abs

Adriana disse...

Um forma poética e forte de abordar o tema traição. Você é foda mesmo. Adoro os seus textos. Beijo.

Luciano Fraga disse...

Prego no fundo da lagoa, dentes podres na boca de um louco, traição e rio sujo mesmo velho e a maior de todas é quando traimos a nós mesmos, belo.Grande abraço.