segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Acaso sou eu o demônio de mármore?

Para Camille ClaudelAcaso sou eu o demônio de mármore?
Dividido entre a incompreensão e o medo?
Acaso sou eu quem distribui beijos de sangue?
E faz do amor um acessório vendido em sex shop?
Um par de tumores me faz as vezes de sapato.
Um par de cancros me faz as vezes de luvas.
Um par de pragas faz as vezes de chapéu
da minha cabeça dividida.
Sou um dragão embaixo de chapéus coco.
Caracóis coloridos despencam dos meus bolsos.
(Só quando estou sentado)
Silêncios esvaziam minha boca.
(O tempo todo)
Marcho cabisbaixo por caminhos que se bifurcam
Sem Pátria
(O Norte é bem mais quente)
Sem carinhos
Sem ternura
Sem nada
A taça da delicadeza
Quebrei-a em dez mil vontades
Um blues ainda consola a timidez dos objetos
Um sol negro estático baila no meu peito
Um arco-íris flutua em minhas veias
Toda noite
Mesmo quando conto anedotas estou triste
Meu ventre está cheio de merda, querida.

7 comentários:

Adriana disse...

Para terminar o ano nada melhor que um poema como esse. Arrebentou, cara! Feliz 2009. Beijo.

Luciano Fraga disse...

Meu caro, o que é isso?De tirar o fôlego, cortante, cruel e com cheiro de merda,tal como muito da vida,feliz 2009,inspirado como este momento, abração.

Arabica disse...

Um bom 2009 (com ventre fertil)!



Abraço

marcio mc disse...

Arrasou meu amigo.Grande abraço e feliz 2009.

f@ disse...

FELIZ ANO NOVO…
Beijinho infinito das nuvens

ronaldo braga disse...

bom. muito bom mesmo.
ta publicado tambem no
www.diariosdosonho.blogspot.com/

JC disse...

Bom ano 2009 cheio de realizações pessoais e profissionais.
Um abraço